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Cultura

Você quer IA, ou quer o gargalo resolvido?

Equipe hzero · · 4 min de leitura

Uma pesquisa ouviu 767 líderes e achou a distância entre querer IA e operar IA. A causa que vemos de perto raramente é o modelo.

A PwC ouviu 767 líderes de operações este ano e encontrou a mesma distância em quase todos: querem inteligência artificial no centro do negócio, e o que existe de fato são iniciativas soltas, que não conversam entre si e não saem do piloto.

A leitura fácil é que falta tecnologia. Não é o que a gente vê de perto.

O pedido chega antes do problema

Acontece com toda tecnologia nova, e com IA está acontecendo mais forte. A pessoa chega dizendo que quer IA. Quando você pergunta para quê, a resposta demora.

Não é desinformação dela. É que IA virou palavra guarda-chuva: cobre desde o robô que responde pergunta até o sistema que decide preço sozinho, e essas duas coisas não têm quase nada em comum. O concorrente falou, o fornecedor ofereceu, o setor inteiro comenta. Ninguém explicou o que é, porque explicar atrapalha a venda.

O que acontece com frequência é que, ao descrever o problema em voz alta, ele deixa de ser um problema de IA. Alguém quer prever quando o equipamento vai quebrar, e o que falta é registrar a manutenção que hoje vive num caderno. Alguém quer um assistente que responda o cliente, e o que resolve é o site dizer o preço sem precisar perguntar. São problemas reais, e a solução deles é mais barata, mais rápida e mais fácil de manter do que a que foi pedida.

Ficamos no prejuízo quando isso acontece. Um projeto de IA vale mais que um ajuste de cadastro. Mas o cliente que recebe a solução certa volta, e o que recebe a solução cara para o problema errado descobre em seis meses.

A pergunta que fazemos

É sempre a mesma, e costuma mudar a reunião de direção:

Você quer IA por ser IA, ou existe um gargalo onde ela seria de fato o diferencial da sua operação?

Quem responde a segunda parte já sabe onde dói, e aí a conversa fica boa rapidamente. Quem trava na pergunta normalmente descobre ali mesmo que o pedido veio de fora, não de dentro da operação.

Isso não é um jeito de dizer não. É que IA resolve uma classe específica de problema: aquele em que a regra é complicada demais para escrever à mão, e muda sozinha com o tempo. Fora dessa classe, ela é uma forma cara de fazer o que um sistema comum já faria melhor.

O combustível que ninguém menciona

Quando o gargalo é mesmo de IA, aparece a segunda barreira, e ela é a que mais trava projeto: IA precisa de histórico.

O sistema não aprende com o que vai acontecer. Aprende com o que já aconteceu, e alguém precisa ter guardado. Se a operação registra há três meses, ou registra em três sistemas que não se falam, não existe modelo que compense. A pergunta certa deixa de ser qual tecnologia usar e passa a ser quanto tempo até ela ter o que aprender.

Um exemplo nosso, de um sistema de preço que estamos construindo. Ele recalibra o preço olhando como a noite fechou, e roda primeiro em modo observação: grava o ajuste que faria, sem tocar em preço nenhum. Ligar de verdade é decisão de gente, depois de semanas conferindo se o que ele propunha fazia sentido.

O que encurtou esse período foi existir um ano de histórico na base. Sem ele, o mesmo sistema funcionaria igual, mas a observação levaria muito mais tempo antes de alguém ter confiança para ligar. O custo de não ter histórico não é o projeto falhar. É esperar.

O que dá para conferir antes de pedir

Três coisas, e nenhuma precisa de consultoria para responder:

  • Onde dói de verdade na operação, em uma frase, sem usar a palavra IA
  • Há quanto tempo isso está registrado em algum lugar, e se está num lugar só
  • Se a regra que você quer automatizar é complicada e muda, ou é estável e

Se a terceira resposta for estável e simples, você provavelmente não precisa de IA. E isso é uma boa notícia, porque o que você precisa custa menos.

Se o seu caso é o primeiro, ou se você não tem certeza de qual é, essa conversa é a parte que a gente gosta de fazer antes de qualquer proposta.